
Um estado de entorpecimento faz com que nos conectemos com a energia do mundo, aqui nesta mesa de bar, minha mente está um pouco lenta , só um copo de cerveja num mundo sozinho mostra-me toda a fragilidade de palavras fundamentais, vindas de leituras, adestramentos, colisões de pensamento, frutos de um encontro entre novo e velho, a partir de um jovem que vive num passado de quem sabe 2000 anos. São várias as hipóteses, vejo tudo isso como simples falácias de quem nunca comeu um cu ou uma buceta, se escondendo atrás de religiões, mitologias e outros papos furados. Já pensou na hipótese de que tudo isso que você acredita não seja nada além de uma invenção muito bem bolada de um grande pensador que segura várias cordas e brinca com as vidas como se estas fossem marionetes? Isto é bem próximo da possível existência de um deus ou de um supercomputador controlado pela hipocrisia e ignorância de que não tem um por quê. São viagens por caminhos desconhecidos, estar aqui nesse bar ouvindo tanta coisa, mulheres cantando ao amor, vendedores ambulantes, hippies XXI em busca de grana para comprarem suas balas ou orégano, enquanto outros estão calmos, tomando caipirinha e apontando para o céu, tem alguém aí? Despedidas são tão melosas, uma mulher na beira da rua vendo um homem partir, porém tem outros homens que vêem mulheres partirem em busca de sexo livre, de picas libertárias, ou até mesmo de xoxotas que queimam sutiãs em praça pública em torno de um monumento ao tesão próprio. São variações da mesma droga, homem, mulher, hetero, homo, bi, tri, nunca... não passam de caracterizações de um mesmo nada pessoal. Ele vai, eu vou, vamos, fomos, estamos todos fudidos e o que adianta chorar? Olhe para mim agora neste lugar, jazz, reggae, sangue e cuspe, porém a caneta só registra palavras, algumas imagens, mas, nada de especial, olhem lá aquele veadinho, ele está tão feliz e nem um olhar se quer me lança, deve pensar que eu não sou tão atraente, agora são mais de cinco, camisas listradas, cabelos espetados, descoloridos e iguais. Um negro e magro, tem uma bunda volumosa, será que já levou algum pau? Isso também não sei, mas queria enfiar uma liberdade ali naquele lugar trancado que só abre para defecar, falar ou chorar, sangue ou diarréia. Duas cadeiras vazias, uma terceira me observa, estou ficando intimidado, três garrafas dançam para isqueiros cantantes, cigarros floridos, jazz dançante. Sei que estar neste mundo não passa de uma eterna descoberta, quedas, pedras no caminho poetas e escritores já mostraram do que se trata, mas, ninguém mostrou o que se encontra dentro da alma, aquele segredo, que muitos negam, outros celebram, mas ninguém sente. Vejo neste lugar um outro lado da vida, onde a beleza não passa de um detalhe, pois a verdadeira beleza esta dentro de cada coração vivo, partido, mas vivo. Está tudo tão ofuscado, penso numa vida diferente, mas, o álcool já começa me deixar um pouco fora de lugar, estou sentado, no entanto, não sinto minhas pernas, não vejo mais ninguém, tudo está na minha cabeça, vultos se espalham ao meu redor, vejo os aros dos óculos de meu amigo, sua careca brilha com o suor, sua garota se aconchega no que deve ser seus braços, me movo em 360 graus de mim mesmo. Chega uma mensagem de alguém que me deixou há um tempo, ele diz que a carência que ás vezes sente faz com que aceite convites aleatórios, mas que está muito bem obrigado, dos olhos cansados lágrimas atravessam meu olhar, já não tenho sentido, acendo um cigarro e penso o que deve acontecer, só penso em um novo começo, tem alguns hippies XXI dançando algo de ancestral, primordial e um tanto que sexual, me encolho na possível cadeira e tento acordar, não estou dormindo, mas possivelmente desmaiado. Sinto uma luz na minha cara, e vozes assustadas, um impulso toma conta do meu corpo, como se me balançassem, a luz continua a bater em meus olhos, abro o olho, estou de cara na minha escrivaninha, a luz da lamparina de escritório tá na minha cara, olho para o lado uma garrafa de vinho argentino está aberta, no canto o cinzeiro, a tela do computador e ao fundo Billie Holiday, sonho, ou pesadelo decido depois. Adeus, Adeus estou em outra dimensão onde o tempo corre lentamente, numa marcha quase que atlética, atletas também passam por aqui, isso é um texto publicável? Pelo menos meu editor acha que sim e assim vou garantindo a minha, com esses rabiscos imperfeitos, esperando um alguém que me queira, entre calcinhas, praças, solidão e cerveja, Good Bye!
