sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

A Roda do Esquecimento – Distâncias Subjetivas além do Nada


Um estado de entorpecimento faz com que nos conectemos com a energia do mundo, aqui nesta mesa de bar, minha mente está um pouco lenta , só um copo de cerveja num mundo sozinho mostra-me toda a fragilidade de palavras fundamentais, vindas de leituras, adestramentos, colisões de pensamento, frutos de um encontro entre novo e velho, a partir de um jovem que vive num passado de quem sabe 2000 anos. São várias as hipóteses, vejo tudo isso como simples falácias de quem nunca comeu um cu ou uma buceta, se escondendo atrás de religiões, mitologias e outros papos furados. Já pensou na hipótese de que tudo isso que você acredita não seja nada além de uma invenção muito bem bolada de um grande pensador que segura várias cordas e brinca com as vidas como se estas fossem marionetes? Isto é bem próximo da possível existência de um deus ou de um supercomputador controlado pela hipocrisia e ignorância de que não tem um por quê. São viagens por caminhos desconhecidos, estar aqui nesse bar ouvindo tanta coisa, mulheres cantando ao amor, vendedores ambulantes, hippies XXI em busca de grana para comprarem suas balas ou orégano, enquanto outros estão calmos, tomando caipirinha e apontando para o céu, tem alguém aí? Despedidas são tão melosas, uma mulher na beira da rua vendo um homem partir, porém tem outros homens que vêem mulheres partirem em busca de sexo livre, de picas libertárias, ou até mesmo de xoxotas que queimam sutiãs em praça pública em torno de um monumento ao tesão próprio. São variações da mesma droga, homem, mulher, hetero, homo, bi, tri, nunca... não passam de caracterizações de um mesmo nada pessoal. Ele vai, eu vou, vamos, fomos, estamos todos fudidos e o que adianta chorar? Olhe para mim agora neste lugar, jazz, reggae, sangue e cuspe, porém a caneta só registra palavras, algumas imagens, mas, nada de especial, olhem lá aquele veadinho, ele está tão feliz e nem um olhar se quer me lança, deve pensar que eu não sou tão atraente, agora são mais de cinco, camisas listradas, cabelos espetados, descoloridos e iguais. Um negro e magro, tem uma bunda volumosa, será que já levou algum pau? Isso também não sei, mas queria enfiar uma liberdade ali naquele lugar trancado que só abre para defecar, falar ou chorar, sangue ou diarréia. Duas cadeiras vazias, uma terceira me observa, estou ficando intimidado, três garrafas dançam para isqueiros cantantes, cigarros floridos, jazz dançante. Sei que estar neste mundo não passa de uma eterna descoberta, quedas, pedras no caminho poetas e escritores já mostraram do que se trata, mas, ninguém mostrou o que se encontra dentro da alma, aquele segredo, que muitos negam, outros celebram, mas ninguém sente. Vejo neste lugar um outro lado da vida, onde a beleza não passa de um detalhe, pois a verdadeira beleza esta dentro de cada coração vivo, partido, mas vivo. Está tudo tão ofuscado, penso numa vida diferente, mas, o álcool já começa me deixar um pouco fora de lugar, estou sentado, no entanto, não sinto minhas pernas, não vejo mais ninguém, tudo está na minha cabeça, vultos se espalham ao meu redor, vejo os aros dos óculos de meu amigo, sua careca brilha com o suor, sua garota se aconchega no que deve ser seus braços, me movo em 360 graus de mim mesmo. Chega uma mensagem de alguém que me deixou há um tempo, ele diz que a carência que ás vezes sente faz com que aceite convites aleatórios, mas que está muito bem obrigado, dos olhos cansados lágrimas atravessam meu olhar, já não tenho sentido, acendo um cigarro e penso o que deve acontecer, só penso em um novo começo, tem alguns hippies XXI dançando algo de ancestral, primordial e um tanto que sexual, me encolho na possível cadeira e tento acordar, não estou dormindo, mas possivelmente desmaiado. Sinto uma luz na minha cara, e vozes assustadas, um impulso toma conta do meu corpo, como se me balançassem, a luz continua a bater em meus olhos, abro o olho, estou de cara na minha escrivaninha, a luz da lamparina de escritório tá na minha cara, olho para o lado uma garrafa de vinho argentino está aberta, no canto o cinzeiro, a tela do computador e ao fundo Billie Holiday, sonho, ou pesadelo decido depois. Adeus, Adeus estou em outra dimensão onde o tempo corre lentamente, numa marcha quase que atlética, atletas também passam por aqui, isso é um texto publicável? Pelo menos meu editor acha que sim e assim vou garantindo a minha, com esses rabiscos imperfeitos, esperando um alguém que me queira, entre calcinhas, praças, solidão e cerveja, Good Bye!

Quem Tem Coração vai à Roma


Coração um órgão que bombeia sangue ou um símbolo de sentimentalismo? Algo feito de pele, carne, músculo, ou será algo vermelho em forma de manga-rosa? São as mais variadas definições, formas, cores vermelhas, flechas cortadas, ou ainda, algo que traz ao mesmo tempo sofrimento e a esperança. Talvez quando se está na UTI, com vários tubos enfiados, ou máquinas que fazem com que o sangue circule, e pessoas do lado de fora da janela de vidro aos prantos, eclode algo de mais sincero, do que quando, se está em um bar enchendo a cara, por causa de um coração partido. Mas, qual é o direito de desdenhar dos românticos de butique, que passam a vida inteira em busca de uma alma gêmea, daquelas de metades da laranja? Não sei, só sei que tanto os libertos pela doença como os presos do sentimento são filhos do mesmo mal, do tal Coração. Mas, quem seria esse sábio que vos fala? Algum Guru do Amor, um psicólogo ou um padre-conselheiro de mesa de bar? Nada disso, apenas um jovem de seus 20 poucos anos, que viveu pouco de uma longa estrada, no entanto, viveu intensamente cada centímetro, cada palavra e rejeição, nem por isso menos gabaritado para falar de tal arte, que é o amar. Sei que pode achar meias palavras, mas saiba que elas são reflexo da mais intensa vivência, você que está lendo agora, poder ser casado, ficante, solteiro, arranjado, ou até mesmo um coração de pedra, porém saiba que até um coração de pedra ao mesmo tempo que fere algo, despedaça algo de si, uma vaidade talvez, quem sabe algo que muitos esqueceram, o tal sentimento. Apesar de ter condenado até certo ponto os conselheiros de bar, é lá que estão os mais verdadeiros exemplos de quem se deu mal no tal assunto, tem até uns que se gabam de serem os pegadores, embora eu não acredite, pois todo predador um dia ou outro acaba virando caça, cuidado “pegador”. Tenho visto muitos amores, despedaçados ou criados, tudo isso me leva a crer que os jovens estão a cada dia mais desesperados, apesar de suas eternas vidas de “ficar” com este ou aquele, lá no fundo, bem no fundo eles precisam de carinho, acordam sozinhos, beijam, transam, comem ou são comidos, mas acordam sozinhos. Há muito de individual em nossa “épocazinha”, vejo muitos jovens até se vangloriarem de sua liberdade, da busca por independência, mas, o que levam disso? São vitórias vãs? Talvez, sim, quem sabe não, sempre gosto de pensar num talvez, aquele intervalo entre uma negativa e uma afirmação, são nesses pequenos momentos que encontramos a razão de viver, pois não adianta negar, ou afirmar seja lá o que for, mas sentir cada momento como se único, uma gozada, uma punheta ou até um boquete, se não aproveitados ao extremo não passam de atividades recreativas, e creio que ninguém aqui quer ser mais criança. Embora, exista um cara lá de trás bem distante, apesar de presente em nosso dia-dia, que diga que o reino dos céus é das crianças, o céu até que é legal, porém careta, quero um lugar onde o meu amor, minha forma de amar seja aceita, o pai do cara, não é amor? Então por que ficar complicando as coisas? São tantas perguntas, várias respostas, conclusões ou “inconclusões”, mas, todos querem dar pitaco, na minha, na sua, na dele, na nossa vida e assim não rola, até o tal do “Roma” é visto como um gladiador que chega ronda e fere no ponto certo quem não consegue se ajudar, amigos, família quando podem tentam, você mesmo não é bom amigo, afinal? Quem é o tal do criador do “Roma”? Até agora eu não descobri, talvez um dia quem sabe? Você que está lendo poderia me ajudar, serve qualquer informação com endereço, CPF, RG, AMOR? Não, já estou cansado de procurar, se está procurando também, não se magoe ou estresse, afinal não é um coração partido que vai acabar com um fígado alcoolizado.