quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Diário ao Avesso de um Universitário


01:08 – As mãos tropeçam pelo teclado do computador, enquanto os olhos estão nebulosos tentando se manter abertos apesar do sono, dos cigarros e da bebida gelada que foram consumidos no Centro Histórico. Ao fundo Kurt canta e congela o tempo “Come dowsed in mud, Soaked in bleach, As I want you to be…” um gole de coca sai rasgando a garganta espassada pela fumaça do tabaco que fere os pulmões jovens, mas virtuosos.

22:55 – Na mesa do bar perto do cais do porto, as ondas se batem furiosas e tentam acordar ou chamar atenção do artista que usa malabares com labaredas na ponta e que nos pede qualquer contribuição para continuar sua arte, penso em não dar nenhum tostão, mas a cortesia entre vagabundos é a mais antiga lei da rua, na mesa estão meu amigo e sua garota e lá na frente está alguém que desperta minha atenção, regata preta, tatuagem no braço direito, brinco na orelha esquerda, passo um bom tempo tentando conseguir algo, mas o olhar desvia. Começa a chuva todos correm para dentro do bar, vou atrás do “alvo” com um “Hollywood” queimando os dedos, lá sinto que ele tenha percebido meu descarado cantar, meu amigo some e fico lá com sua garota, ela o procura sob chuviscos e ele sem conversa sai andando, vou atrás como bom e fiel escudeiro, não entendendo que aquele seria meu 1º calote...

20:30 – Estou na Área de Vivência do Campus, entro descaradamente com meu companheiro cigarro, apesar do calor, fico ali curtindo o bom e velho “Pedra Rolante”, meu olhar consegue dá uma volta de 360º na sua busca incessante por uma companhia ou quem sabe uma trepada, afinal o que é melhor para se arranjar em um festa onde todos estão com suas espingardas prontas para atirar em qualquer buraco que se apresente, do que se não uma boa transa, pelo menos uma dor no fim do mundo?

18:45 – Passaram-se 15 minutos do fim da última aula, estou na frente da sala com uma turma, quer dizer o melhor que encontro naquela sala, que é um saco! Abro a bolsa lá tem 2 tipos de papel higiênico, resgatados dos banheiros imundos daquele lugar, o 1º é uma marca vagabunda daquela que na hora de se limpar ficam farelos bem no seu olho inferior, o Segundo muito mais legal, quem diria que a reitoria se preocupa com a qualidade da limpeza de nossos “cus” e que lindo ele é “folha dupla”!

17:0018:10 – Sentados num banco de concreto, estou eu e uma amiga, conversando, quer dizer ela tentando me dizer “Aí eu estou tão chata”, algo que foi repetido 6 vezes até que eu dissesse: - Ah sei disso e olha que é só a segunda semana de aula, imagina o que vem pela frente; olhares distantes e cartazes do lado, “Vamos pra sala?”, “Vamos”...; Acontece o amor, ele acorda para a vida, Tem um ataque cardíaco, pois sente a dor do primeiro beijo. Acorda à noite, sempre com ânsia de transar, masturba-se fazendo eclodir a lava, melada e fedorenta, diz amém. Nasce um poema...

16:30 – Final do 1º Round, parece mais o livrar-se de um peso, estavam todos desinteressados, com algumas exceções que fingiam interesse, no mais os outros ou estavam tirando um cochilo ou lendo revistas em quadrinhos. Enquanto o maestro tentava controlar a orquestra com todos os recursos possíveis, piadas de juventude até escapadelas em territórios exóticos, no entanto a platéia se debatia em convulsões paradoxais despertadas pelo tédio da sexta e pela energia contida para a festa de calouros. Eu só estava gélido, homem pensante e perdido em pleno século XXI ou será XIX?

14:10 Camisa preta de botão, manga longa dobrada até o cotovelo, desligo o som e deixo o Fab Four esperando até o próximo encontro. Lá está um de meus parceiros com uma tábua que parece ser daquelas de confeiteiro que logo me revela ser de uma amiga artista que ficou de ir buscar-la por volta das 3 horas, subimos a escada lá está outro Brow, os convido para tomar uma gasosa, após os arrotos, partimos para a sala, onde começa o baile.

11:00 Tento ler um texto para uma das aulas do dia, no entanto a paciência se esgota rapidamente, cedendo lugar a uma bela e prazerosa aliviada, termino e todo sujo parto rumo ao quintal, onde tomo um belo banho, como os que descobri ultimamente. Tudo parece ser tão chato nessa droga de vida, não tenho muito saco pra pensar em despertar do coração, penso mais em viver um bom suco de uva com biscoito água e sal.

10:00 “Here comes the sun, Here comes the sun, And I say, It's all right…” Acordo…

Um comentário:

  1. droga de rotina!
    acho que a culpa é da minha ignorância em n saber descobrir mais coisas novas caro amigo!acho que ja sou totalmente um adulto agora.beijos.wuã.

    ResponderExcluir